Porque você se tornou chef?

Porque não ser chefe já não era mais uma opção! Literalmente. Minha primeira formação é como psicóloga e me apaixonei pela gastronomia durante umas férias quando fiz um curso de gastronomia em uma escola no norte da Italia (ICIF no Piemonte). Achei que aprenderia sobre os deliciosos vinhos locais e no máximo sairia com uma boa receita de risoto… depois de 15 dias dentro de uma cozinha minha vida nunca mais fui a mesma. Inocente voltei um ano depois para mais uma rodada de aulas e foi quando percebi que seria inútil resistir, em um mês virei a vida de cabeça para baixo, pedi demissão e parti para a formação na Ecole Lenotre em Paris.

 

“Fazia chocolates como parte da rotina de produção da cozinha. Virou uma missão quando visitei a fazenda Leolinda. Foi um chamado. Foi um domingo que mudou
a minha vida.”

 

 

Fazenda Leolinda, Ilhéus, Bahia

 

O que te inspira no chocolate?

Chocolate sempre foi uma paixão mas nunca tive vontade de me especializar. Fazia chocolates como parte da rotina de produção da cozinha. Virou uma missão quando visitei a fazenda Leolinda. Foi um chamado. Foi um domingo que mudou a minha vida. Naquele dia me desmanchei diante da dorna da fermentação. Não explicar porque ou como mas foi assim… não surgiu de imediato, foi crescendo dentro de mim. Até a produção do primeiro chocolate não podia jamais imaginar que hoje teríamos uma loja em Lisboa. Nunca sonhei fazer chocolate.mais uma rodada de aulas e foi quando percebi que seria inútil resistir, em um mês virei a vida de cabeça para baixo, pedi demissão e parti para a formação na Ecole Lenotre em Paris.

Quão importante é o processo artesanal de manufatura para você?

Artesanal é uma vocação. É um chamado, não é uma escolha. Faz parte de quem você é, das suas crenças e da sua visão de mundo.

 

 

 

“Nossos pensamentos e sentimentos
são recheados de palavras, somos frutos de uma língua
e unidos através dela.”

 

 

 

Como você brifa os designers de embalagem do Chocolate Q?

Começamos essa jornada com uma parceria com excelente designer chamado Claudio Novaes. Mas hoje temos uma equipe interna e acredito que estamos no melhor formato. Justamente porque não tenho como brifar o designer, ele tem que ser parte integrante da equipe. Ele acompanha meu processo criativo do início ao fim. Trocamos o tempo todo. Sou psicóloga e disso ninguém foge… passamos boa parte do tempo discutindo conceito e aprofundando o conhecimento. Quando partimos para uma nova embalagem parece muito natural tomar qualquer decisão sobre a nova imagem. Depois acompanhamos tudo de muito perto. Na gráfica damos o toque final e é acompanhando cada teste de cor que chego no ajuste exato do que queremos. Já faz um tempo que ando apaixonada pelo tal do contafio. Esse pequeno objeto virou inspiração para marca. Eles já riem quando eu falo “contafio” para explicar uma situação…

Como e onde você achou o ilustrador que fez esse trabalho?

Trabalhamos com uma empresa incrível de São Paulo chamada Rabiskeria. Temos uma sinergia enorme com eles. São sonhadores como nós.

Como foi o processo de trabalho do design de marca e embalagens?

As embalagens são parte de uma história. Devoto a elas o mesmo tempo que devoto aos chocolates. São um conjunto indissociável. Não vendo chocolates convido para uma experiência e ela começa com a embalagem.

 

 

“Não vendo chocolates, convido para uma experiência
e ela começa com a embalagem.”

 

Qual é a sua rotina do dia-a-dia?

Nada emocionante. Da minha casa vejo o corcovado e gosto de acordar cedo e tomar café desfrutando da paisagem. Em seguida começa a correria, todos os dias faço exercício pela manhã e de lá direto para o trabalho. O dia termina normalmente tarde e na volta para casa raramente encaixo atividades depois disso. No máximo um curso de artes. Sou muito caseira.

O que você faz para relaxar?

Basicamente ouço música e contemplo a generosa natureza que me cerca no Rio de Janeiro. Tenho o privilégio de estar cercada pela montanha do Corcovado. Da minha casa e do meu trabalho abro a janela para linda mata tropical.

Como na sua opinião Portugal e a língua portuguesa tiveram um efeito positivo no Brasil e na brasilidade?

Somos construídos em linguagem. Nossos pensamentos e sentimentos são recheados de palavras, somos frutos de uma língua e unidos através dela. Talvez para nós que temos descendência direta a influência seja até mais profunda.

 

“Não consigo deixar de imaginar a emoção de meu avô atravessando o Atlântico cheio de sonhos. No caminho inverso devolvemos à terra novos sonhos.”

 

Portugal ou a língua portuguesa tiveram um efeito positivo no seu trabalho?

É impossível não refletir sobre o movimento que fizeram meus antepassados quando deixaram Portugal para desbravar o Brasil. Fazendo o movimento inverso me conecto com minhas raízes. Não consigo deixar de imaginar a emoção de meu avô atravessando o Atlântico cheio de sonhos. No caminho inverso devolvemos à terra novos sonhos.

Como você descreveria Portugal e povo português?

Portugal guarda para mim justamente o sabor artesanal. Cosmopolita como qualquer capital europeia guarda ainda a beleza e pureza de seus pequenos artesões. Portugueses tem uma dose exata de afeto e ousadia. Me reconheço na tenacidade e alegria.

 

Família Aquim: Rafael, Samantha, Luiza e Rodrigo

 

Para mais informações: www.chocolateq.com

Fotografia: Vicente de Paulo + Acervo Aquim + Arquivo OBA

Why did you become a chef?

Because not being a chef was no longer an option! Literally. My first degree was in psychology and I feel in love with gastronomy in a trip when I took a gastronomy course at a school in northern Italy (ICIF in Piedmont). I thought that I would learn about local wines and at most would come out with a good risotto recipe … after 15 days inside a kitchen I have never been the same again. Innocently I returned one year later for another round of classes and it was when I realized that it would be useless to resist. In one month I turned my life upside down, quit my job and went to college at Ecole Lenotre em Paris.

 

“I used to make chocolates as part of the kitchen production routine. It became a mission when I visited Leolinda Ranch. It was a calling. It was a Sunday that changed my life.”

 

 

The Leolinda farm at Ilhéus, Bahia

 

Who inspires you? Where inspires you? What inspires you? (please give details)

Chocolate has always been a passion but I never wanted to specialize. I used to make chocolates as part of the kitchen production routine. It became a mission when I visited Leolinda Ranch. It was a calling. It was a Sunday that changed my life. That day I crumbled before the fermentation tank. Not explaining why or how it was… it did not arise immediately, it was growing inside me. Until the production of the first chocolate I never imagined that we would have a shop in Lisbon today. I never dreamed of making chocolate.

How important is “craft” to you?

Craft is a vocation. It is a calling, not a choice. It is part of who you are, your beliefs and view of the world.

 

 

 

“Our thoughts and feelings are filled with words, we are bred by language and united through it. “

 

 

 

How did you brief the designers of the Chocolate Q packaging?

We started this journey with a partnership with an excellent designer named Claudio Novaes. But today we have an internal team and I believe we are in the best format. Exactly because I can’t brief the designer, he has to be an integral part of the team. He follows my creative process from the beginning to the end. We share all the time. I’m a psychologist, and no one gets away with it … we spend a good deal of time discussing concept and deepening our knowledge. When we go for a new packaging it seems very natural to make any decision about the new image. Then we follow everything very closely. In the graphics we give the finishing touch and we watch each color test to get to the exact adjustment of what we want. It’s been awhile since I’ve been in love with the “contafio”. This little object has become an inspiration for the brand. They already laugh when I say “contafio” to explain a situation …

Where did you find the illustrator?

We worked with an amazing company from São Paulo called Rabiskeria. We have great synergy with them. They are dreamers like we are.

How did the design process of the packaging work?

The packagings are part of a story. I devote to them the same time as for the chocolates. They are an indivisible set. I don’t sell chocolates, I invite to an experience, and it starts by the packaging.

 

 

“I don’t sell chocolates, I invite to an experience, and it starts by the packaging.”

 

What is your daily routine?

Nothing so thrilling. From my house I see the corcovado and I like to wake up early and have breakfast while enjoying the scenery. Then the rush begins, every day I exercise in the morning and from there I go straight to work. The day usually ends late and on the return home I rarely do activities after that. At most an arts course. I’m very homely.

What do you do to relax?

I basically listen to music and contemplate the generous nature that surrounds me in Rio de Janeiro. I have the privilege of being surrounded by the Corcovado mountain. From my house and my office I open the window to a beautiful tropical forest.

How do you think Portugal and the Portuguese language has had a positive effect on Brazil and Brazilian-ness?

We are built in language. Our thoughts and feelings are filled with words, we are bred by language and united through it. Perhaps for us who have direct descendants the influence is even deeper.

 

“I cannot help but imagine the emotion of my grandfather crossing the Atlantic, full of dreams.”

 

Has Portugal or speaking Portuguese had a positive effect on you and your work?

It is impossible not to reflect on the movement that my ancestors made when they left Portugal to explore Brazil. I connect with my roots by doing the reverse movement. I can not help but imagine the emotion of my grandfather crossing the Atlantic, full of dreams. On the way back, we return new dreams to the land.

How would you describe Portugal and the Portuguese people?

Portugal holds for me the craft flavor. Cosmopolitan as any European capital, it still holds the beauty and purity of its small craftsmen. The Portuguese have an exact dose of affection and boldness. I recognize myself in tenacity and joy.

 

The Aquim Family: Rafael, Samantha, Luiza and Rodrigo

For more information: www.chocolateq.com

Photography: Vicente de Paulo + Aquim and OBA Archive